Postagem feita antes da operação chamou atenção nas redes sociais

Um mês antes de se tornar alvo de uma operação policial, a influenciadora Lara Luíza Cabral fez uma publicação em tom de humor falando sobre dívidas.

Segundo a Polícia Civil, ela é investigada por suspeita de movimentar mais de R$ 20 milhões em apenas um ano através da exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro.

Na postagem, a influenciadora escreve:

“Você faz alguma atividade perigosa? Sim. Faço dívidas que não consigo pagar. E ainda durmo tranquila até a fatura chegar. Vivendo perigosamente”.


Operação Tigre de Areia investiga lavagem de dinheiro

Influenciadora e mãe foram alvos da Polícia Civil

Lara Luíza Cabral e sua mãe, Valquira Cabral de Sousa, foram alvos da Operação Tigre de Areia, deflagrada pela Polícia Civil.

A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de fachada, contas de familiares e até transferências para instituições religiosas para, supostamente, lavar o dinheiro proveniente dos jogos.

A influenciadora, que conta com quase 19 mil seguidores, mesmo após várias tentativas de contato com ela, não houve retorno até a última atualização desta reportagem.


Publicação sobre dívidas gerou repercussão

Especialista alerta para normalização do endividamento

Investigada na Operação Tigre de Areia, publicou em abril que “dormia tranquila” apesar de débito.

A normalização ou ridicularização do endividamento é considerada perigosa pelo psicanalista Carlos Mendes.

“Cerca de 50% da população brasileira está negativada e 80% endividada […] Brincar com essa realidade nesse contexto onde se divulga jogos de azar, ignora o crescimento no número de crimes e a diminuição do consumo de produtos, inclusive da cesta básica por parte de quem realiza apostas”, explica o especialista.


Psicanalista explica funcionamento do ciclo dos jogos de azar

Para o profissional, a lógica dos jogos é perversa e as plataformas estimulam o sistema de recompensa do cérebro através do “reforço intermitente”.

“As pessoas ganham pouco e depois perdem muito. Então fica sempre a expectativa de tentar recuperar aquele valor perdido e aí isso cai num ciclo infinito de repetições”, explica o psicanalista.

O impacto é potencializado quando influenciadores digitais fazem o trabalho de divulgação, segundo o especialista.

“Além disso, há o apelo à ostentação. O que se mostra nas redes sociais é a necessidade de ter o celular da moda ou aquele estilo de vida luxuoso. Seduzidas por isso e com a anuência do influenciador, as pessoas acabam se tornando vítimas fáceis”, alerta.


Polícia Civil cumpre mandados na Operação Tigre de Areia

Entenda a investigação

Lara Luíza Cabral e sua mãe, Valquira Cabral de Sousa, foram alvos da Operação Tigre de Areia, deflagrada na quinta-feira (14).

A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de fachada, contas de familiares e até transferências para instituições religiosas para lavar o dinheiro proveniente dos jogos.

Enquanto Lara declarava renda mensal de menos de R$ 4 mil, sua mãe, que atuava como faxineira com renda de R$ 3 mil, movimentou sozinha R$ 9 milhões, segundo a polícia.

A Justiça determinou o bloqueio das redes sociais da influenciadora e bens, incluindo três veículos e dez imóveis.


Justiça negou prisão preventiva das investigadas

A Justiça negou o pedido de prisão preventiva das investigadas, optando por medidas cautelares alternativas, como a suspensão das redes sociais e o sequestro judicial de bens (três casas, sete lotes e três veículos).

O magistrado também autorizou a quebra do sigilo de dados das mulheres, permitindo acesso a informações armazenadas em nuvens e celulares.


Resumo das informações da investigação

  • A investigação apura exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro;
  • A movimentação suspeita ultrapassa R$ 20 milhões em um ano;
  • Empresas de fachada e contas de familiares teriam sido utilizadas;
  • A Justiça determinou bloqueio de redes sociais e bens;
  • Foram sequestrados imóveis e veículos das investigadas;
  • Houve autorização para quebra de sigilo de dados e acesso a celulares e nuvens digitais.

Essa reportagem foi publicada primeiro pelo site G1 Tocantins
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Autor: Igor Carneiro